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sábado, 24 de julho de 2010

Language

                                                                                                     
  O trecho abaixo pertence a obra "Prolegômenos a uma Teoria da Linguagem" do linguista dinamarquês Louis Hjelmslev. Mais do que uma bela descrição sobre a linguagem, ele nos faz pensar  a sua importância na constituição do ser humano.

Vale a pena conferir !!!


 “A linguagem - a fala humana - é uma inesgotável riqueza de múltiplos valores. A linguagem é inseparável do homem e segue-o em todos os seus atos. A linguagem é o instrumento graças ao qual o homem modela seu pensamento, seus sentimentos, suas emoções, seus esforços, sua vontade e seus atos, o instrumento graças ao qual ele influencia e é influenciado, a base última e mais profunda da sociedade humana. Mas é também o recurso último e indispensável do homem, seu refúgio nas horas solitárias em que o espírito luta com a existência, e quando o conflito se resolve no monólogo do poeta e na meditação do pensador. Antes mesmo do primeiro despertar de nossa consciência, as palavras já ressoavam à nossa volta, prontas para envolver os primeiros germes frágeis de nosso pensamento e a nos acompanhar inseparavelmente através da vida, desde as mais humildes ocupações da vida quotidiana aos momentos mais sublimes e mais íntimos dos quais a vida de todos os dia retira, graças às lembranças encarnadas pela linguagem, força e calor. A linguagem não é um simples acompanhante, mas sim um fio profundamente tecido na trama do pensamento; para o indivíduo, ela é o tesouro da memória e a consciência vigilante transmitida de pai para filho. Para o bem e para o mal, a fala é a marca da personalidade, da terra natal e da nação, o título de nobreza da humanidade. O desenvolvimento da linguagem está tão inextrincavelmente ligado ao da personalidade de cada indivíduo, da terra natal, da nação, da humanidade, da própria vida, que é possível indagar-se se ela não passa de um simples reflexo ou se ela não é tudo isso: a própria fonte do desenvolvimento dessas coisas."

L. T. Hjemslev


Fonte da foto: www.un.org/cyberschoolbus/untour/imgnor.jpg

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Saussure - Uma abordagem imanente

                                                                                                      www.iped.com.br/sie/uploads/10473.jpg

Quando entramos no curso de Letras e começamos nossos estudos sobre a linguagem, de imediato, ouvimos falar dele, Ferdinand de Saussure, isso porque não há como falar de Lingüística ou qualquer estudo moderno sobre a linguagem sem citá-lo como referência. Nascido em Genebra, no ano de 1857, foi um lingüista e filósofo cujo os estudos operaram uma ruptura com a lingüística histórica-comparatista dos neogramáticos, no final do séc. XIX.
Para Saussure a língua é um sistema convencional adquirido pelos indivíduos no convívio social e se caracteriza por ser “um produto social da faculdade de linguagem” (Saussure, Ferdinand, 1972, p.17). Ele vai definir a língua, por oposição a fala, como objeto principal da Lingüística e vai priorizar o caráter formal e estrutural da língua.Para ele, existe uma Lingüística da língua (interna) e uma Lingüística da fala (fatores externos) esta última, embora reconheça sua importância, não vai considerá-la em suas pesquisas. Após sua morte, em 1913, dois alunos seus – Charles Bally e Albert Sechehaye – a partir de anotações pessoais e cadernos de outros estudantes, publicaram, em 1916, o célebre “Cours de Linguistique Générale”. Esta obra será responsável pelo reconhecimento da Lingüística como ciência e a partir dela surge a corrente que será de suma importância para os estudos das demais “O Estruturalismo” e, com ela, inicia-se os estudos modernos sobre a Lingüística.
Apesar da importante colaboração de Saussure nos estudos da linguagem, sua abordagem imanente da língua foi, e é, duramente criticada por muitos estudiosos que o sucederam, pois segundo eles, estudar a língua apenas como sistema subjacente é limitar o conhecimento que se pode ter sobre o fenômeno lingüístico, pois tal abordagem representa apenas uma parte do fenômeno total.